Artigos do Professor Marins e textos discutidos nos Programas de TV

A FADIGA DOS MÉTODOS MECANICISTAS DE GESTÃO

A FADIGA DOS MÉTODOS MECANICISTAS DE GESTÃO

 

Luiz Marins

 

Tenho sido constantemente chamado por empresas que adotaram métodos mecanicistas de gestão e que estão perdendo os seus melhores talentos ou experimentando uma grande desmotivação com total desengajamento das pessoas em todos os níveis da hierarquia, especialmente nos níveis gerenciais e de supervisão.

Esses métodos mecanicistas, geralmente desenvolvidos por engenheiros que pouco entendem de seres humanos, mas que se acham muito entendidos, acreditam que pessoas sejam como máquinas e robôs que uma vez programadas e bem lubrificadas irão ter um desempenho excepcional permanente.

A programação tecnicista dos famosos balance scorecards, gerenciamento por diretrizes, desdobramento infinito de metas e outros modelos tipicamente robóticos chegaram, como eu já havia vaticinado há anos, ao seu esgotamento e fadiga.

O lubrificante que esses consultores mecânicos utilizam e pensam ser eficaz para seres humanos é o bônus sobre bônus pelo atingimento de metas cada vez mais inatingíveis para uma pessoa normal. Esses engenheiros acreditam que as pessoas são eternamente compráveis, basta chegar ao preço ou valor de cada uma.

O resultado desses métodos são um verdadeiro desastre a médio e longo prazos: estresse, estafa, até chegar em burnout com consequências imprevisíveis. Famílias dilaceradas, filhos de pais totalmente ausentes que se dedicam 24 horas por dia, sete dias por semana à insana tarefa de cumprir metas, diretrizes, sem poder compartilhar ideias com seus colegas para não correrem o risco de terem seus bônus divididos. Além disso ainda têm que ser responsáveis pelo desempenho alheio, pois se as metas globais não forem atingidas também o bônus vai para o espaço.

A perda dos melhores talentos nessas empresas é assustadora. As salas de espera de psiquiatras e psicólogos gritam que alguma coisa deve estar errada nessas empresas, verdadeiras máquinas de moer gente.

Como antropólogo fico pasmo ao ver que esses “gurus” ainda são endeusados por empresários—quase sempre ignorantes sobre seres humanos e o que os motiva a longo prazo—que acreditam que esses métodos pouco éticos e quase selvagens são a base do sucesso de suas empresas, quase sempre odiadas por todos os que nela se algemaram até que consigam se libertar após um tratamento psiquiátrico longo e custoso e escapar das consequências mais graves dessa nova escravidão.

Pense nisso. Sucesso!

 

 

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