Artigos do Professor Marins e textos discutidos nos Programas de TV

Não vi, não li e não gostei.

 

NÃO VI, NÃO LI E NÃO GOSTEI

 

Luiz Marins

 

Paulo Francis, um famoso intelectual e jornalista brasileiro que residia em Nova Iorque e a quem tive o prazer de conhecer quando lá residia, dizia sempre que há pessoas que dizem “não vi e não gostei”.

Nestes tempos de redes sociais também conheço muitas pessoas que emitem opiniões fortes e decididas sobre o que não viram e não leram, repassando opiniões alheias sem nenhum juízo crítico.

Da mesma forma, conheço pessoas doutrinadas por ideologias radicais de esquerda ou de direita que nunca se dispõem sequer a ler e conhecer alguma coisa que não diga respeito ou não seja escrito pelos próprios ideólogos de sua seita. Essas pessoas não leem e não gostam de opiniões contraditórias. Só leem aquilo que reforça o que já pensam, aparentemente com medo de serem convencidas por argumentos diferentes e terem que mudar de opinião.

O desafio de viver num mundo com muita informação e com mudanças muito rápidas é o de manter a capacidade de ler, aprender, discutir e pensar com a própria cabeça. O desafio ainda maior é o de manter duas ideias contraditórias na cabeça e ainda assim reter a capacidade de raciocinar e funcionar. Para isso temos que ter honestidade intelectual para não emitirmos opiniões sem termos lido, pensado, analisado e decidido o que realmente pensamos e qual é a nossa opinião.

O que tenho assistido nas empresas e nos locais que frequento são discussões puramente emocionais, cheias de preconceito e às vezes pouco civilizadas, onde pessoas e grupos se acusam sem a menor fundamentação lógica, unicamente com base em posições ideológicas de todos os lados. O raciocínio lógico parece ter desaparecido.

Pense se você também não está entre as pessoas que dizem “não vi, não li e não gostei” e preste atenção se você não está caindo no ridículo de ser considerado alguém intelectualmente fraco e sem opinião própria.

Pense nisso. Sucesso!

PENSE NISSO:

Dizem que a expressão “não li e não gostei foi pronunciada pela primeira vez por Oswald de Andrade quando perguntado sobre um livro de José Lins do Rego. Como Oswald não gostava de José Lins do Rego, respondeu prontamente a pergunta com essa frase;

• Muitos defendem o “não li e não gostei” argumentando que não perdem tempo com aquilo que “já sabem” que não valerá a pena. Será isso intelectual e moralmente defensável?

• Muitas pessoas dizem ter lido livros que só viram a capa e a introdução e emitem uma crítica a respeito desse livro;

• Assim como há pessoas que só leem as manchetes de uma notícia e já saem julgando o conteúdo da matéria pelo seu título;

• Há ainda pessoas que pensam conseguir enganar outras pessoas com um discurso falsamente intelectual. Não leram quase nada e gostaram!

• Você até pode “não ler, não ver e não gostar”, mas, por favor, se abstenha de dar qualquer opinião a respeito antes de ver, ler e pensar.

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